quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A caverna II


Tudo na vida tem um motivo e aquela sua frieza com os homens também tinha o seu. Mas se enveredavam por caminhos um tanto complexos para serem colocados numa mesa descontraída de conversas amenas como a que estava tendo com a amiga. Não duvidava que ela fosse entender, mas...estaria disposta a revirar tão fundo? A verdade é que algumas coisas só pertencem a nós, e ficam melhores dentro de nós.
Mas não escondidas de nós. E aquela conversa suscitou nela diversos motivos e reflexões...
Sim, não fora assim sempre. E se lhe perguntasse de onde vinha essa moça que ela era hoje, por mais diferentes que tenham sido os caminhos, eles davam sempre na mesma pessoa.
Mas sobre isso ela só podia refletir assim, andando sozinha pelas ruas iluminadas pelos postes de sódio e tendo apenas a garoa como companhia e um longo caminho a percorrer.
           
Não sabia qual a idade em que as pessoas começam a ter suas primeiras lembranças, mas ela sabia bem que a dela foi entre cinco e seis anos. As primeiras impressões da vida ficam marcadas para sempre, influenciam até nos dias de hoje? Não sabia ao certo, só que ele entrou em cena exatamente neste momento de clareza, de modo que, da forma mais pura e simples, não conseguia imaginar sua existência sem ele. Ele já estava lá quando seus primeiros vislumbres de vida riscaram sua consciência.
Atravessou a faixa de pedestres e caiu numa avenida mais iluminada, sob o toldo de lojas antigas. Sentiu-se confortável e aquilo a transportou para sua velha casa, perdida em algum lugar do tempo que ela não conseguia esquecer. Para o primeiro encontro.

***

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