domingo, 29 de novembro de 2009

Remembers


Quinta (26/11) foi exibido na rede Globo no programa Por Toda Minha Vida um especial sobre o Claudinho, da dupla de funk Claudinho e Buchecha, que morreu em 2002, num acidente de carro na Dutra quando voltava de um show aqui pertinho, em Lorena. Assistir a esse especial e reprisar a carreira da dupla foi como dar um mergulho direto no meu passado...uma época do passado incrivelmente viva e da qual me surpreendi ao sentir tanta saudade. O programa tem exibido artistas da música que já se foram, mas deixaram uma marca muito viva nas gerações por onde passaram. Assistir a Elis Regina, Cazuza, Renato Russo...é diferente. O estilo musical me agrada mais, porém o efeito não é o mesmo que ver o funk romantico que contagiou o final da minha infância. Como disse, é mais vivo, fez parte de mim, fez parte de uma época inesquecivel da minha vida, vivamente. Ouvir os primeiros estouros como "Conquista" e lembrar da letra inteirinha como se fosse ontem que eu cantava os versos "Olha eu te amo, e quero tanto, beijar teu corpo nú, não, não é mentira, nem hipocrisia, é amor, com você tudo blue...", é, eu sei, hoje em dia isso parece meio brega (e longe do meu estilo), mas naquele tempo, junto com os amigos, em coro, ah que delicia que era esses estouros....e a sensação da delicia que volta intensamente com essas retrospectivas de um tempo em que vivi é que me deixa com lágrimas nos olhos e suspiros nostalgicos. Que tempo aquele meu deus! Bem no olho do furação que se transformou minha vida, exatamente num ponto divisor entre a calmaria e a reclusão. Uma tempestade que as vezes arrancou galhos violentamente e as vezes levantou os voos mais altos. E como eu senti isso ontem, quando a voz melodiosa da dupla me fez lembrar do que há muito eu nem lembrava. Dos fins de semana de sol, da feira livre da cidade, onde eu e meu irmão podiamos ir a vontade comprar cds de musica originais por preço de banana no 'cara da feira', numa época em que cds eram tão caros que isso era um luxo e que a pirataria ainda não tinha se disseminado. Na turma da escola (nos tempos em que a escola era deliciosamente prazerosa de se ir) que se reunia para cantar e dançar os sucessos dessa e de outras duplas e bandas, mas não só isso, do tempo das brincadeiras, dos jogos, das apresentações de final de ano, com os pais tirando fotos e para muitos, a única oportunidade de ver os pais ali, vendo o seu progresso escolar de perto. De como corriamos pelo patio do santuário da cidade ouvindo musica pelo antigo walkman, que rodava fita K7 ou como usavamos o gravador do radio de casa para registrar os momentos familiares de furia da nossa mãe que pirava quando demoravamos demais no banho, para depois rir do que nos tinha feito chorar de vergonha e raiva na hora. Fazia tempo que algo não me lançava direto para esse passado não tão distante, mas que hoje parece outra vida, em outra dimensão que infelizmente se fechou. Lembrar disso é bom e ruim ao mesmo tempo, é doce e amargo.
E como diz a música...esse passado parece um pedaço que falta no meu coração.

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