domingo, 21 de junho de 2009

Dicas para escrever melhor

Estou fusando na net nesse domingo vagaroso, lendo coisas...e me deparei com um post em um blog que falava de umas dicas para escrever de um escritor que gosto muito, o Stephen King.
Muitos acham que eu sou fã do King pelo fato de ser fã do gênero do qual ele é considerado o mestre contemporrâneo (terror). Na verdade eu ainda não virei fã de escritor nenhum, tem os que eu gosto, mas não sou devota de nenhum em especial, rsrs. Apesar de ter mais de 20 livros do homem, não sou fã dele, por vezes a sua literatura me irrita um pouco com um certo excesso de 'informalidade' (não sei se é coisa tipica da cultura Mcworld de acabar meio que estilizando as coisas), mas é só às vezes, boa parte do tempo ele esta me assustando (ou me fascinando) com suas histórias que vão de cemitérios zumbis até contos sobre adolescentes buscando o autoconhecimento. Foi um bom ponto de partida também para eu começar uma leitura mais madura do gênero terror e conhecer outros escritores do mesmo gênero e gêneros derivados deste.

Mas bem, bem, se tem uma coisa que o King sempre frisa é que ele escreve demais, e como! Tem até livro estilo 'fundo de gaveta da escrivaninha velha' que ele resolveu escrever com contos deixados de lado por muito tempo (Pesadelos e Paisagens Noturnas que o diga!). Ele escreve bons contos como Às vezes eles voltam (não sei se é porque Sombras da Noite foi seu primeiro livro de contos, mas os contos dele são muito bons) que me deixou arrepiada a noite toda. Mas a maioria (pelo menos depois desse primeiro livro) deixa a desejar, pois como dizia Jorge Amado, ser escritor de romance e de contos e fazer os dois estilos terem qualidade é coisa rara (se referindo a Graciliano Ramos, que fazia os dois muito bem, mas também pudera, Graciliano era extremamente conciso), e se tem uma coisa que o King é, é prolixo assumido. Mas gosto da maneira como ele descreve as coisas (jeito que até adaptei para mim, pois também gosto de fazer isso), claro que num romance fica muito melhor, tem mais 'espaço', rsrs.

Bem, bem, vamos as dicas que o autor dá para escrever bem (dicas tiradas do blog Efetividade.net):

Vá direto ao ponto - ou pelo menos chegue logo ao ponto. Não desperdice o tempo do leitor com longas introduções e prolegômenos. Não gagueje.
(Putz, eu fazia tanto isso, antigamente eu achava importante essas 'preliminares literárias', mas tenho aprendido que isso não cansa só meu leitor, como a mim também, rs).

Escreva um rascunho e deixe decantar - depois de escrever o rascunho, guarde por algum tempo, aguarde maturar, e só então revise e prossiga. Isto lhe permitirá ver o texto sob outra perspectiva, diferente daquela sob a qual você o escreveu, e assim facilita aplicar os cortes e edições que você talvez nem perceberia que precisava fazer.
(Outra coisa que também tenho feito com frequência: revisão de textos antigos e de 'novos', mas que deixo 'descansar' para só então ver melhor como está, é uma forma de criar um novo gás para escrever também, caso a inspiração tenha dado uma murchada ao longo da escrita).

Corte seu texto - King fala em cortar 10% do total - foi um conselho que ele recebeu em uma carta de rejeição de um texto seu, no início da carreira, e que seguiu desde então. Remova palavras, frases e capítulos supérfluos.
(Esse corte é puxado pela dica anterior de deixar o texto descansar um pouco. Pegar ele depois de um tempo ajuda muito a ver esses pontos a serem editados - e como aparecem! - e até coisas que poderiam ser escritas de maneira a economizar muito!)

Leia muito - precisa explicar? Para escrever bem, é preciso ler bem. Aumentar sua quilometragem, aprender fatos e estilos novos, saber melhor o que fazer (e o que não fazer). Não é difícil, e vale a pena.
(Voltei a ler bastante, pois minha vontade de escrever voltou com força depois de muito tempo meio 'inativa'. É muito importante para desenvolver o vocabulário também e formas de se expressar (só quem escreve sabe como é frustrante ter a idéia, mas não conseguir expressá-la no papel)).

Escreva muito - o aperfeiçoamento vem com a prática, assim como nos esportes. Escreva, e depois escreva mais, e assim você vai melhorar cada vez mais.
(Escrever e escrever, e depois escrever mais um pouquinho nas linhas que sobrarem é meu passatempo favorito!)

sábado, 6 de junho de 2009

A arte de perder


UMA ARTE
Elizabeth Bishop

A arte de perder não é difícil de dominar.
Tantas coisas contêm em si a prerrogativa
Da perda, que perdê-las não é nenhum desastre.

Perca um pouquinho a cada dia.
Aceite, austero, a perda das chaves da porta, a hora gasta inutilmente.
A arte de perder não é difícil de dominar.

Depois perca além, mais rápido:
Lugares, nomes, situações...tantas coisas.
Nada disso trará um desastre.

Perdi o relógio de mamãe. E veja!

minha ultima, ou antepenultima, de três casas amadas que tive.
A arte de perder não é difícil de dominar.

Perdi duas cidades lindas.
E um império que eu possui, dois rios, e mais um continente.
Sinto falta deles. Mas não foi um desastre.

Mesmo perder você (a voz engraçada, o gesto que eu amo) Não muda nada.
Pois é evidente que a arte de perder não é tão difícil de dominar
por mais que pareça (Escreva!) um desastre.

Nos rascunhos de Bishop para o poema, a conclusão de One Art fica muito
mais explícita, como é possível ler nesse trecho:

All that I write is false, it’s evidentThe art of losing isn’t hard to master.oh no.anything at all anything but one’s love. (Say it: disaster.)

Tradução livre:
Tudo o que escrevi é mentira, é evidente
A arte da perda não é dificil de dominar
oh não qualquer coisa, qualquer coisa exceto o amor de alguém.
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Extraido do filme "Em Seu Lugar" (In her Shoes) - 2005
- Sobre o que fala o poema?
- Perda..? Amor...!
- Ah!E o que quer dizer isso? Que o amor já esta perdido? Bishop escreve isso como uma possibilidade, uma probabilidade? Como?
- Bem...a principio ela fala sobre perder coisas reais como chaves...depois ela torna-se grandiosa, como perder um continente.E a forma como ela diz, parece não ter importancia. Ela quer que soe
como se não tivesse importancia, porque ela sabe, no fundo, como é ruim o sentimento de perda.
- Perder o quê? Ou quem? Um amante?
- Não. Um amigo.
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