sábado, 20 de dezembro de 2008

O GRITO 2




Decepcionante. Apesar da maioria das seqüências não te tornarem bons filmes, eu ainda acreditava que a seqüência da versão americana de Ju-on - O Grito 2, fosse ser melhor do que foi. Na verdade não foi. Deixou de ser em muitos aspectos.

Versões americanas de filmes orientais já me soam como falta de criatividade. Mas vá lá, até que saem algumas coisas interessantes, como os clássicos da atualidade: O Chamado e O Grito. Prefiro mais O Grito. The Grudge (Ju-on), conseguiu me cativar com Sarah Michelle Gellar (a Buffy, caçadora de vampiros), a americana vivendo no estranho mundo de Tóquio (ao invés de transportarem a historia para Nova York, por exemplo, e fazer uma cagada colossal, destruindo o idéia oriental do “rancor” pós morte, que dá nome ao filme). Existe uma seqüência oriental para Ju-on (talvez até melhor que o primeiro), mas o segundo filme americano não segue a historia deste, infelizmente. Tentaram criar uma história a parte, seguindo diretamente do final do primeiro filme. Talvez tivessem a esperança de criar uma continuação melhor que a dos japoneses, bom, ficou só na esperança mesmo, pois o filme descamba ladeira a abaixo o tempo todo.

A idéia dessa seqüência é fazer uma outra americana reviver a lenda de Kayako e da sua casa amaldiçoada, cujo fantasma persegue todos que lá entrarem. Então inventaram uma irmãzinha da Karen (Gellar), a aspirante a Jade em carinha de choro, Aubrey (Amber Tamblyn), que foi alias, a menina que morre pela maldição de Samara no começo de O Chamado. A mãe a despacha para lá a fim de resgatar sua irmã, que parece ter pirado na terra do sol nascente. Paralelo a isso temos duas outras histórias: a de um grupo de meninas de um colégio de Tóquio que resolvem ir fazer uma “brincadeira” na casa amaldiçoada do filme e de uma família em terras americanas, que se muda para um prédio, onde estranhos acontecimentos começam a perturbar a rotina da família. Essa idéia de ‘histórias intercaladas’, que parecem não ter ligação, como um enorme quebra-cabeça, que você vai montando ao longo do filme e no final tudo se encaixa também é um recurso que os orientais usam muito em seus filmes, alias, eles são bem complicados de entender justamente por isso, exigem bastante atenção de quem os assiste. No primeiro filme eles utilizaram desse recurso de maneira muito convincente, mas dessa vez...

A história perdeu muito em sustos inúteis, tão manjados que não assustavam ninguém (eu pelo menos já estava preparada para a carinha de olhos esbugalhados da Kayako saindo de algum lugar escuro com aqueles imensos cabelos negros, ou aquele moleque azulado com seu miado de gato, conta outra vai...), ficou confuso tentando usar a intercalação de historias, para
explicar uma coisa que ficou ainda mais confusa no final. A personagem americana é quase risível, ela não faz nada de útil na historia e tem uma morte ainda mais estúpida e sem sentido. As três garotas que vão “brincar” na casa utilizam de uma abordagem bastante forçadoa do ‘vamos assustar a CDF jogando ela no local mais assustador da casa’, essa cena alias, é do primeiro filme oriental, que não existe no primeiro Grudge americano, há umas mistureba dessa historia das garotas do primeiro filme, que não convence nem um pouco...A família americana só estou entendendo agora...a principal idéia dessa seqüência é que o fantasma vingador agora pode sair dos limites da casa amaldiçoada (perai, isso não lembra uma certa sequencia de um certo outro filme que os americanos adaptaram? O Chamado 2 também usava essa idéia, aiai, não é só pela personagem principal também ter sido do Ring, mas muitas coisas nesse Grito 2 me lembram O Chamado, isso seria falta de criatividade elevada ao quadrado?), a moça da brincaderia na casa agora vive naquele prédio e a maldição do fantasma foi junto com ela, que acaba meio que ‘envenenando’ todo o andar em que moram. Na verdade, é a isso que se deve a única cena mais criativa do filme (cena inicial), em que um marido que se sente traído discute com a mulher, e ainda reclama da porcaria do breakfast que ela faz. Ela em seguida, sem o menor aviso ou mudança de humor, derrama oleo quente de uma frigideira na cabeça dele, depois o acerta com ela. Foi assim também que começou o primeiro The Grudge, com o persongem de Bill Pulman se jogando sem mais nem menos da varanda de seu apartamento. Sabemos que algo não vai dar certo desde o começo, mas o final deste não poderia ser pior.

E não digo que esse filme não tinha chance de ser melhor. Ele tinha potencial pra ser muito melhor, em vários momentos esperei que finalmente a coisa deslanchasse, que acabassem os clichês, as enrolações, os manjadinhos ‘grunidos’ gutuais dos fantasmas(que me deixavam muito mais irritada do que assustada, de tão exagerados que foram dessa vez). Mas não souberam aproveitar nada. Primeiro tentaram criar uma outra historia por cima de pedaços recortados não aproveitados do primeiro Ju-on. Depois desperdiçaram partes importantes da historia que iria esclarecer (afinal, a idéia de uma continuação dessa é enfim dizer de onde vem o fantasma, porque ele odeia tanto todo mundo e blábláblá) o que o filme mesmo se propôs a fazer (afinal, todo o carnaval em cima do ‘vamos saber de onde Kayako veio’ não valeu de nada....), me deu a impressão de, por ter a ver com costumes orientais, rituais e tudo o mais, eles não souberam o que fazer ou como explicar direito, e ficou tudo muito vago, e o motivo foi bem fraco do modo inexplorado no qual foi apresentado. No final o final não foi feliz para ninguém, a família americana é dizimada, mas de maneira fútil, bem hollywodiano mesmo, há várias pontas soltas e motivos idiotas para as coisas acontecerem. Só não dou nota 0 pela cena da frigideira, aquela foi boa!
Ahh, e claro, a brincadeira que fizeram com o a apresentação das distribuidoras, em que a estátua da Columbia se tranforma aos poucos no fantasma do filme. Criativo!
No mais, não percam tempo com esse filme. E procurem a seqüência original japonesa se realmente quiserem se assustar.



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