domingo, 1 de abril de 2012

Crônicas da Fantasia

Eis um dia estou eu a navegar a esmo sem procurar nada em especial. Não lembro como, mas um link me levou a outro link e quando vi já tinha caido numa pagina da Editora Literata cuja imagem multicolorida e os desenhos simples de crias fantasticas me chama atenção. A chamada era diferente da que eu estava acostumada a ver. Desta vez não eram contos o objetivo da antologia anunciada e sim crônicas.
Crônicas....


Um dos encantos das crônicas é refletir sobre nosso cotidiano. Acontecimentos que vivemos, momentos que deixamos passar, pessoas que entram e saem de nossas vidas… E sobre o que ocorre no mundo da Fantasia? Alguém já se preocupou em pensar e escrever sobre isso?

A antologia Crônicas da Fantasia é um reflexo do mundo de nossos sonhos e pesadelos, um apanhado de fatos que nos fazem repensar sobre as atitudes e os pensamentos de criaturas nem tão diferentes de nós, e que no final, nos fazem observar a nós mesmos.

Afinal de contas, o mundo da Fantasia não é o mesmo para todos, e em cada um, acontecem muitas coisas a todo tempo e em variadas proporções. As crônicas fantásticas mostram como não estamos sozinhos no universo, e que sempre tem algo que nos surpreende." (chamada publicada em Outubro/2011 no site da editora)


Fui imediatamente fisgada pela proposta diferenciada. E tão já o tema me enfeitiçou, a idéia surgiu como as brumas esverdeadas da linda imagem que ilustra a capa, livro e cada crônica. Eu sabia bem o que iria enviar para concorrer.

Meu tema favorito sempre teve a ver com seres que carregam algum tipo de maldição, castigo ou arrependimento. Anjos e demônios permeiam os primordios da minha escrita e sempre serão personagens queridos, embora já tenha me embrenhado na exploração de outras figuras misticas. Mas dessa vez quis voltar ao tema de origem e contar o lapso de um dia díficil para um ser mitico que tem de viver no mundo dos homens. Foi aqui no blog que seu esqueleto foi gerado pela primeira vez, num fim de tarde furioso há tempos atrás. Veio de um desabafo no qual usava a metafora do anjo caido para expor meu deslocamento e frustração pelo cotidiano. As crônicas "Mestiças" são na verdade, páginas avulsas que voam quando os ventos se tornam impetuosos e é dificil conter a dor que os humanos causam uns nos outros. "Mestiça" porque existe este momento em que o humano se torna distinto desse lado quase sobrenatural de nós mesmos numa ruptura turbulenta, e ao mesmo tempo de se racha, descobre-se que não há como se separar totalmente, mostrando como somos mesclados e por vezes indefinidos. Nos tornamos 'mestiços', nem humanos nem criaturas. Até mesmo o texto se torna 'mestiço', sendo crônica, sendo desabafo, espichado, se explicando por si só.


Juro que não imaginei que fosse ser escolhido. Só de enviá-lo eu já me sentia de certa forma satisfeita, pois aquele desabafo, depois de rebuscado e narrado numa crônica de fantasia, parecia ter encontrado um proposito além da simples narração de uma angustia particular. Escrevê-lo sob o fundo musical (inspirador) de A Distance there is... dos noruegueses Theatre of Tragedy (escutem se puderem, aqui, além do post que fiz sobre a mesma, pois é simplesmente uma canção primorosa), em que a introdução, com sons de chuva e trovões me transportava para as ruas da ação da crônica e o lirismo da composição ditava a dor e melancolia dos sentimentos expressados no que eu escrevia...foi uma terapia e eu já me sentia bem de ter dado essas asas negras a este desabafo para que pudesse voar.

Mas eis que recebo a alegre (alegre mesmo) surpresa. Ele fora escolhido, dentre 130 inscritos, para estar junto de mais outros 16 autores selecionados num livro de crônicas. Uau!


Estar contente é pouco, eu me senti realizada. Consegui escrever um gênero literário que ainda não tinha explorado à sério (a crônica), consegui escrever um texto breve, o que no meu caso é para lá de complicado, pois sofro do mesmo mal de Stephen King ("elefantiase literária" rsrs), inseri neste texto o tipo de criatura fantastica que mais gosto e que esta nas minhas origens literárias e transformei um desabafo de uma tarde turbulenta na (oficial!) crônica Mestiça.  Demorou um tempo para cair a ficha de que, sim, era isso mesmo.


Um pouco sobre Crônicas da Fantasia

A antologia foi organizada pelo gaucho Cristiano Rosa (com quem divido espaço na antologia da Ed. Estronho "Quando o saci encontra os mestres do horror"), que é escritor/poeta e professor, e já publicou no livro Imagens & Letras 2 (2007), da Universidade Feevale, em O Segredo da Crisálida (2011) e Moedas Para o Barqueiro – Volume II (2011), ambos da Andross Editora e organizou a antologia Ventos Poéticos (2011), pela Editora Literata. Ele  mantém coluna sobre leitura no blog Litteratus e administra blog sobre literatura fantástica chamado Criando Testrálios. A belissima arte exposta atualmente no site da antologia e em breve nas paginas do livro, é de autoria do designer Renato Klisman.


Sinopse:

Um livro que fala sobre as criaturas mágicas, mas não por meio de simples contos, e sim com textos que levam o leitor à reflexão e ao pensamento de que mesmo não sendo humanas, elas são mais parecidas conosco do que imaginamos.

Os autores apresentam produções com os mais diversos seres: vampiro, fada, sereia, troll, ceifeiro, fauno, saci, zumbi, gnomo, feiticeira, anjo, elfo, sátiro, centauro, dragão... que levarão os leitores a mundos nem tão distantes assim do nosso, porém encantados e com cotidianos mágicos.


Lendo as crônicas da obra, podemos perceber e sentir a magia de cada criatura, se divertindo, se emocionando e se envolvendo com as narrativas, pois a visão delas sobre os mundos da imaginação refletem o nosso próprio universo.
 

Os 17 selecionados para Crônicas da Fantasia:
  • A louca que gritava na ponte, de Bruno Anselmi Matangrano
  • A primeira página, de Jefferson Reis
  • A viagem, de Nilo Gadioli
  • Cegueira, de Daniel Cavalcante
  • Desilusão, de Veridiana Ghesla
  • E se os zumbis viessem a existir?, de A. S. M. Spindler
  • Em plena sexta-feira, de Adriano Villa
  • Labirinto de concreto, de Alex Bastos
  • Memórias, de Camila Araújo
  • Mestiça, de Verônica Freitas
  • Namorado?, de Raquel Rosas
  • O desejo do fauno, de John Lennon Smith
  • O pior olhar da criatura, de Tânia Souza
  • O vendedor de balinhas, de Luiz Teodosio
  • Quando as sereias tornaram-se mundanas, de Lucas Borges
  • Satírico, de Daniel Gruber
  • Só por hoje, de Marcia Gomes

Além deles, ainda farão parte da obra textos do organizador e dos convidados:
  • Para onde vão as fadas quando crescemos, de Cristiano Rosa
  • O centauro e as flechas de luz, de Douglas Eralldo
  • Campeonato de beijar sapos, de Ana Cristina Rodrigues
O lançamento será dia 28 de abril, no evento 1ª Odisseia de Literatura Fantástica que ocorrerá em Porto Alegre. 



Curiosidades:

A idéia de uma antologia de crônicas fantasticas já me era bastante criativa, e ainda me surpreendo cada vez mais com o capricho dedicado desta obra. No site da antologia foi lançada a publicação, em todos os dias impares de março/abril, de um trecho de cada crônica selecionada e uma imagem (belissima arte, alias, e além disso, eu adoro verde!!) referente a crônica. Lindo e bem feito é pouco para definir este trabalho.

Eis a da minha crônica: 


Que chuva! Como os humanos conseguiam viver no meio daquele caos armado que é uma cidade, lá pelo fim da tarde, quando todos, ao mesmo tempo, resolviam fazer exatamente a mesma coisa? Onde estava a ordem? Como eles conseguiam se entender?"

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O restante delas esta na pagina oficial de Crônicas da Fantasia, clique aqui para conferir os outros talentosos trabalhos (tanto dos autores quanto de arte).

O organizador também disponibilizou uma degustação da obra para quem quer dar uma conferida antes de abril. 

No mais, organizador, artistas e a Editora Literata estão de parabéns pelo trabalho. Fico ansiosa aguardando o lançamento do livro (que conincide com a semana do meu aniversário, que presente maravilhoso de se ganhar!! ^_^), e em tê-los em mãos.

Um abraço à todos! 



domingo, 25 de março de 2012

Mestiça



“Que chuva! Como os humanos conseguiam viver no meio daquele caos armado que é uma cidade, lá pelo fim da tarde, quando todos, ao mesmo tempo, resolviam fazer exatamente a mesma coisa? Onde estava a ordem? Como eles conseguiam se entender?" 

Trecho de degustação de "Mestiça", minha crônica que teve suas raízes aqui no blog e agora será publicada pela Ed. Literata em "Crônicas da Fantasia", junto a belíssima arte feita para cada uma delas.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

"Fetus in fetu" Isto é bizarro

Noticia que li hoje pelas news do Yahoo! (clique aqui para ver a matéria) e que achei digno de ter saido das páginas de algum livro de ficção cientifica e terror.


Isbac Pacunda, menino peruano de três anos, espanta pelo tamanho pretuberante do ventre, em que nem familia nem os médicos conseguem explicar o inchaço. Uma radiografia então responde a questão: o que o garoto traz no ventre não é um tumor, mas nada menos que um feto parasita encrustado em seu rim direito. O feto de seu irmão gêmeo não nascido (e que foi parar dentro do irmão!).  
A anomalia, chamada de "Fetus in fetu" (algo como um feto dentro de outro, ou uma 'criança grávida', o que torna a coisa ainda mais bizarra) ocorre uma vez a cada meio milhão de nascimentos. Segundo a reportagem,  o feto dentro do garoto "não chegou a desenvolver cérebro, coração, pulmões ou intestinos, mas possui couro cabeludo no crânio, ossos de membros superiores e inferiores e ossículos nas mãos e nos pés",  o que não acho nenhum pouco difícil depois de ver essa outra reportagem da Discovery Channel sobre um caso semelhante.  


 
A família de Isbac mora em Ajachin, uma comunidade de índios aguarunas na região amazônica de Loreto.


Reportagem sobre o caso de Isbac Pacunda, o "Niño embarazado" peruano.


Doc da Discovery Channel sobre anormalidade semelhante


Brrr..........

sábado, 28 de janeiro de 2012

Pois é...



"Nunca, jamais diga o que sente. Por mais que doa, por mais que te faça feliz. Quando sentir algo muito forte, peça um drink."
 
(Caio Fernando de Abreu)


(eu devia encher a cara depois dessa....U,U....mas apesar de tudo, é inevitável não dizer o que sentimos, por mais que saibamos o quanto podemos nos ferir com isso. É porque o ser humano é um bicho contraditório, que esta constantemente indo contra a razão e logica mais racionais. Pois, racionais são as maquinas, que  podem 'pensar' de forma a seguir regularmente um metodo, e achar que estar fora dele é que é um erro, mas nós não. Não dizer o que sentimos, muitas vezes, é como conter uma correnteza furiosa. Imagine quando ela estourar? Mas é um conselho útil de qualquer forma e evitaria muita coisa. Mas quem disse que é fácil segui-lo? Eu não disse que os seres humanos são contraditórios? Oh raça que não sabe ficar quieta no seu canto.... ¬_¬).



sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Musica para inspirar

Quando desejava aprender piano (bem, ainda desejo, a falta recursos é que me limita), esta musica me inspirava muito. Claro, eu sempre gostei de piano, e tenho meus compositores clássicos favoritos, no entando, esta musica da banda norueguesa Treatre of Tragedy tem um "Q" especial. Quando a ouvia, eu criava uma cena melancolica, junto aos sons naturais inseridos na composição, com a chuva caindo e os trovões, as vozes liricas, os toques cadenciados e horas fortes do piano. 
Ainda não havia visto videos ou a letra da musica, mas imaginava por seu tom, algo que unia amor e dor. Quando enfim, a trouxe a tona, me surpreendi. De fato, A Distance There is parece uma fábula, uma história triste pendendo para o fantastico, rebuscada como toda a composição é. O video que em seguida descobri, uma montagem muito bem feita , inserindo cenas do filme/anime  Vampite Hunter numa perfeição impecavel à musica (que quase somos levados a crer que se trata de algo feito especialmente um para o outro) terminou por finalizar essa triade belissíma. 
Divido com vocês este material inspirador. ;-)


 
Theatre of Tragedy - A Distance There is



Uma Distância há....



“Deixai a chuva”, vós dizeis - mas vós nunca pisastes adiante.

E sou capturada.

Uma distância há...

Nenhuma, exceto a mim e ao punhal, crepitando sobre o telhado.

Contemplai! Pois não é a chuva; destarte tenho que ser.

Não beberei teu vinho de vindima, meu querido.

Tendes vós considerado que de inocência sou; contudo deixastes vossa dama em perigo.



Vós deixastes-me tostar

De fragilidade é o meu coração, minha pálida pele de damasco tom.

Quando vós, vossas lágrimas tivestes recônditas, “Voltai!”, vós dizeis.

Lá, em breve estarei, mas como poderei correr, quando meus ossos, meu coração! Vós arrancastes?



“Mas correi!” – vós dizeis; Eu corro.

E lá, então, eu contemplo, que o tempo virá quando por mais uma vez morta eu estiver.

Vós dizeis-me para sem demora partir.

E parto, com o punhal e lágrimas em mãos.

Vede! As sombras, o céu – diminuindo-se.



Então por meio de um forte golpe caminho antes de correr e derreter-me em crepúsculo.

Em minha mente qual o resultado, parece como se fosse impróprio mudar de qualquer modo?

Afinal de contas, vós deixastes-me por esses anos, afundar-me nas emocionais profundezas.

A encharcada e sombria cortina aveludada pendura-se em mim.

Tornando meus sentimentos distantes de nosso tão ignorante mundo.

Todos os belos momentos compartilhados, deliberadamente empurrados adiante.

...Uma distância há...